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O escândalo VazaJato é um escândalo existir

O escândalo VazaJato é um escândalo existir

Vazajato é hoje um termo em evidência graças ao escândalo de possíveis vazamentos atribuídos aos protagonistas da força-tarefa Lava-Jato. Resta saber se esse escândalo é corroborado de forma ingênua pela bandeira do jornalismo ou um discurso panfletário a serviço dos inimigos da pátria.

Como saber se a VazaJato é um escândalo consistente?

Se estivéssemos num ambiente de grande responsabilidade cívica, o jornalismo empregado seria de caráter ético rígido. Porém, aquilo que se vê diante o site The Intercept Brasil foi método pouco republicano e bastante ideológico.

O processo de validação do método VazaJato

Porque eles primeiro divulgaram as supostas mensagens do aplicativo Telegram e depois viram a validação de seu discurso. Ao receberem feedbacks, começaram a procurar parceiros que desse reputação ao escândalo.

Assim, surge A Folha e Veja para associarem a divulgação dos trechos relativos a conversas registradas nos grupos de conversas entre Sergio Moro e a força-tarefa do Ministério Público, mais especificamente, Deltan Dallagnol.

O método do vazamento, portanto, tem validação. Outro ponto em questão também é perceptível quando divulgada a segunda leva de mensagens. Segundo a reportagem do The Intercept Brasil, eles foram atrás dos envolvidos para dar a chance do contraponto, coisa que antes não havia acontecido.

Novamente, reativos a comentários de jornalistas interessados em aferir a veracidade destes documentos. Exemplo disso são os comentaristas da Jovem Pan News, que questionaram veementemente tais aferições pouco metodológicas do ofício jornalístico.

As inúmeras sabatinas de Glenn Greenwald

As inúmeras sabatinas em que Glenn Greenwald já participou, inclusive dentro da Câmara dos deputados federais, em Brasília, demonstram que o "jornalista" não revela sequer algum método de aferição sobre a veracidade deste material.

É perceptível que o americano, responsável pelas reportagens do escândalo mundial Snowden, quando pressionado, entra em contradição e comete atos falhos.

Obviamente, há uma série de questionamentos a serem resolvidos. Por isso, é complexa também a tarefa de seguir sustentando histórias baseadas em supostas conversas "vazadas".

Em recente entrevista com Lula, Glenn comete um ato falho ao explanar ao ex-presidente e condenado pela Lava-Jato sobre algo que já estaria em curso e que, provavelmente, seria uma espécie de vingança, tal como um amigo promete justiça ao outro.

Glenn:

"Está bem. Quero te prometer que já estamos trabalhando com essas questões, investigando esses…"

Lula:

"Mas deixa eu… Glenn, só para não parar pela metade, só dizer o seguinte, olha…"

Glenn:

"Pode concluir."

O trecho em destaque é um ato falho cometido por Glenn sobre a existência destes possíveis documentos veiculados, posteriormente, pelo The Intercept Brasil.

Outro ponto em destaque é o trecho a seguir, nesta mesma entrevista com Lula, que demonstra a pergunta, estrategicamente, elaborada para corroborar mais um trecho em destaque na # VazaJato.

Glenn: 

Durante a eleição de 2018, nós passamos um ano tentando te entrevistar, assim como outros jornalistas, mas nenhum foi autorizado – apesar do fato de que os presos mais violentos do país, inclusive o Nem, o chefe do tráfico do Rio de Janeiro, foram entrevistados na prisão. Mas agora que a eleição terminou e o Bolsonaro ganhou, de repente o judiciário está permitindo a alguns jornalistas (a Folha, o El País, o Kennedy Alencar para a BBC) te entrevistar. Como você explica isso?

Lula:

Olha, eu tenho clareza, Glenn, eu tenho clareza de que tudo o que aconteceu neste país em função da Lava Jato foi para impedir que o Lula fosse candidato à Presidência da República. Hoje, eu tenho muita clareza, da mesma forma que eu tenho clareza de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está por trás disso. Da mesma forma que eu…

Glenn:

Tem evidência para isso?

Lula:

Hein?

Glenn:

Tem evidência? Tem prova?

Lula:

Eu tenho só convicção, né, por tudo. Da mesma forma que eu tenho, sabe, hoje muita certeza de que o pré-sal está envolvido em tudo o que aconteceu comigo e com a Dilma. Ou seja, o golpe, a minha prisão, as denúncias… Veja, porque a Lava Jato, ela poderia ter tido um papel importante punindo o empresário – se é que ele roubou –, mas permitindo que a empresa continuasse a gerar empregos, a pagar salário. Que a Petrobras não fosse quebrada, não fosse vendida, não fosse repartida como eles estão fazendo. Então, hoje, eu tenho clareza de que a liberação de eu dar entrevista… primeiro eu agradeço a vocês que reivindicaram na justiça. Era para eu ter dado entrevistas antes da eleição.

Como você pode perceber, agora que temos a leitura do contexto ad entrevista, podemos compreender que 

A entrevista realizada na sede da polícia federal por Glenn Greenwald no cárcere de Lula, você pode conferir aqui:

Surge um escândalo chamado Snowden

Glenn, fundador do site de notícias The Intercept, financiado por iniciativa privada internacional após o caso Snowden, é foco, hoje em dia, de inúmeros veículos da imprensa.

No entanto, ele escolhe, estrategicamente, as interlocuções realizadas para falar sobre o assunto.

O fato de também estar casado com um deputado federal do PSOL, partido que sempre questionou as ações da força-tarefa da Lava-Jato contra Lula e dirigentes do PT, demonstra o viés ideológico em meio às reportagens do site.

Reputação do Pulitzer não basta

Outro ponto de atenção é a referência de Glenn ao prêmio máximo do jornalismo mundial. Porém, já houve também outros jornalistas consagrados por este mesmo prêmio desmascarados em suas produções jornalísticas.

Glenn pode não ser este jornalista a ser desmascarado pelo trabalho que lhe conferiu a premiação, mas também se enche de vaidade para sustentar possíveis mensagens que não têm a mera aferição.

É evidente, Glenn não seria maluco de comprar um discurso falso e ter sua reputação questionada. Ele, teoricamente, não precisaria disso. Porém, a sede pela vaidade de ser novamente o "anjo apocalíptico", detentor de um escândalo tão notório mundial, seria suficiente para cegar suas convicções jornalísticas.

Sergio Moro ministro fortalecido

As manifestações que aconteceram no último 30 de junho demonstraram um novo estágio do ex-juiz Moro e atual ministro da justiça e segurança pública do governo Bolsonaro.

Hoje, Moro é muito maior do que antes. As manifestações não tiveram massa cidadã, tal como as manifestações contra Dilma Rousseff, em 2015 e 2016, mas foram suficientes para mostrar como determinado segmento ainda crê na reputação de Moro.

Essa perspectiva também fortalece ele diante seu ministério. Por isso, Moro deveria agradecer aos inimigos pela incursão ingênua contra sua reputação. Eles apenas afirmaram o compromisso que o então juiz tinha com a justiça.

A VazaJato tem método e precisa ser mais analisada. Porém, sua capacidade analítica precisa estar atrelada às funções comunicativas e ideológicas.

Estado Cidadão
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso Seguir

Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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